" Ela acordou, olhou ao seu redor, fechou os olhos e questionou o nada: eu ainda não morri? "
Estranho notar a sutileza com que ela fala sobre o que passou.
Quantas inúmeras e inquestionáveis vezes, tudo que ela desejou era dormir e nunca mais acordar? Quantas vezes ela chorou descontroladamente por se sentir sozinha e inútil? Quantas vezes ela deixou de ver que a felicidade da vida começa no momento em que você acorda, e que o simples fato de estar respirando é uma dádiva que deve ser agradecida? Quantas vezes ela colocou tudo a perder por estar aflita? Quantas vezes ela perdeu a oportunidade de ficar calada? Quantas vezes ela sentiu que deveria ter dito algo mais? Quantas vezes, por medo de ser infeliz, ela deixou o encantador de lado? Quantas vezes ela abdicou bons momentos por querer lembrar das felicidades passadas?
Um dia, ela acreditou que o tempo podia mudar tudo.
O tempo não mudou nada. Ele deu maturidade e forças para ela subir num salto e olhar o Mundo por cima. O tempo mostrou a ela, que quem vale a pena continua, que não muda nada chorar, que a aflição se dissolve numa roda de amigos, que escutar é melhor que dizer, que estar vivo é glorioso, que a felicidade recente deve ser única, que morrer pode não ser a solução.
Neste momento, ela pensou e viu que: O tempo passa;
Muitas coisas mudam de lugar. Algumas perdem o sentido, outras ganham valor..
O verdadeiro permanece.
Desse 'verdadeiro', sente-se falta.
O que fica, não pode ser mudado. Mesmo que no fim reste só lembranças.
Ela não conseguiu esquecer de absolutamente nada;
Cada segundo que pensou em desistir, pensou, repensou, chorou, gargalhou, gritou, acalmou, voltou atrás. Estranho, porque nem ela sabe o porquê! talvés até saiba, mas falar de amor seria clichê demais para ela, que se julga tão normal.
Ela não morreu fisicamente. Chegou a ficar morta por alguns dias. Morta de alma, de felicidade, de espírito. Mas valeu a pena, afinal, acabou aprendendo que não se pode dar o peso da sua vida para um outro alguém, e que, quanto mais alto você voa, mais dolorida é a sua queda.
Isso a fez ver que o vantajoso é andar com os pés no chão.
Ela não amou pela metade nem um só segundo, não se entregou por pedaços, não destinou aquilo que era de um para outro alguém. Ela amou.. ela se doou, ela caiu, chorou, e aprendeu.
Ela foi amiga, agradável, carinhosa, namorada, mãe, objetiva, irresponsável.
Hoje, ela continua a mesma.
Magra, baixa, retraída, discreta, irônica, desconfiada.
A mesma Bia.
A sua Bia, a minha Bia, a Bia de sempre.
Mas alguma coisa mudou, talvés não nela, mas alguma coisa mudou.
Ela está inteira, pela primeira vez!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluireu lembro de uma que eu sinto falta até hoje..
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