“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz."

terça-feira, 19 de março de 2013

Releio meu blog e procuro sentido para todas essas palavras. Sinto como se outra pessoa o tivesse escrito em cada detalhe, cada vírgula! Onde está o sentido disso tudo? Ainda procuro.

Onde?

Com as mãos na cabeça eu tento enxergar pra que lado devo seguir. Há um tempo atrás, permanecer imóvel seria resultado de contínuos momentos de alegria e grande felicidade. Tudo mudou. Hoje está cinza, cinza como já foi um dia. Não é a primeira vez em que eu não sei pra onde ir e o que fazer, mas sem dúvidas, acho que nunca havia colocado DE VERDADE na balança o que têm pesado. Viver e aceitar a indiferença dos outros machuca e muito. Ver que as coisas mudaram num piscar de olhos, também. E não conseguir enxergar um futuro distante após determinadas situações, pior ainda! Sinto saudade de quando meus risos eram de alegria plena. Saudade dos dias em que tantas palavras eram ditas e guardadas, de quando um olhar dizia mais que todas as frases do mundo. Saudade de um cheiro que desapareceu, de um gesto que não é mais feito, de um carinho que não é mais dado. Saudade de um ombro amigo que foi embora, de um companheirismo que se tornou bronca. Saudade de algo que sumiu e não volta mais. Mas se você ainda está aqui, onde estão os nossos sonhos? Procuro.

terça-feira, 5 de março de 2013

O Poço

De repente me deparei com um poço no caminho. Tentei analisar de todas as formas o que existia ao seu redor e dentro de si. Não encontrei nada. Busquei então motivos que me fizessem continuar a jornada ou abandoná-la naquele momento – também não encontrei. Neste momento senti-me confusa. Percebi que não saber o que fazer naquele instante era a minha maior preocupação. Não conseguia enxergar razões pela qual eu deveria insistir no percurso e sofrer os riscos desconhecidos, mas ao mesmo tempo sentia medo de permanecer estagnada vendo o tempo passar e nada acontecer. Resolvi correr o risco, percorri alguns metros. Cai. Posso dizer que durante meses sofri as consequências de cair ao fundo do poço. Senti a frieza do silêncio e a brutalidade da solidão. Chamava por quem não ouvia e clamava sem resposta. Eu só queria não sentir a nada. Com o passar do tempo, tudo passou. Restaurei-me de todos os ferimentos da queda e prometi para mim mesma nunca mais avançar além do que meus olhos podiam prever. Enganei-me. Anos depois me vi novamente em frente a um poço. Este, desta vez, mais intimidador. Ousei e por necessidade de instinto, decidi avançar. Porém, desta vez, em paços curtos. Novamente estive ao fundo do poço. Como poderia prever tamanha emboscada? Novamente enfrentei meses de recuperação. Dias de angústia e eterno silêncio. Dessa queda, eu nunca me recuperei. Não conseguia acreditar que minha intuição novamente havia pregado peças em mim. Segui em frente, acreditando que um raio nunca cai três vezes no mesmo lugar. Até que hoje novamente me deparei com um poço em minha frente. Continuar ou fugir? Não sei.