O sino tocou as 18h e junto dele também tocou meu coração. Tocou de um jeito que não poderia passar despercebido, pois transmitia tudo aquilo que vinha guardando, escondendo e desacreditando há um certo tempo..
Ele chamou pelo seu nome. Achei uma grande ousadia, mas depois de ouvir o toque daquele sino, sabia que nem mesmo o que estava profundamente alojado dentro de mim ficaria calado. Os sentimentos tinham mesmo que aproveitar a oportunidade e reaparecer e eu já os conhecia, cada um em seus minuciosos detalhes, mas todas as vezes que eu tentei concretizá-los, você me mostrou que no nosso caso, sentimento bom é sentimento guardado, não é? E aproveitava também para me lembrar o quanto somos diferentes.
Lembrei-me daquele dia de abril em que você olhou nos meus olhos e disse que me amava mais que todas as coisas. Guardei aquela frase como quem faz uma tatuagem na pele, simbólica e eterna.
Foi a última vez que acreditei em você.
Hoje eu olhei nos seus olhos e consegui enxergar mil sentimentos, mas o amor que em abril era tão vivo, perdeu a chama que o mantinha aceso.
Hoje eu vi o nosso amor indo embora com a malinha nas costas, me dando um adeus que surtiu mais efeito que mil tapas na cara. E de repente eu percebi que o que me restou de você foram as mais lindas lembranças de todos os pedidos que eu fiz por nós ao soar daquele sino.
Então, que ele continue a tocar - sempre me lembrando de você.

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