“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz."
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Lembro-me do dia em que eu desejei ter dezoito anos.
Tinha aquela ilusão de que com a maioridade toda minha confusão mental cessaria.
Quando chegou, realmente aproveitei cada segundo dos quatro primeiros dias, agi como uma louca desajeitada que corre contra o tempo como se o mundo acabasse á meia noite do dia seguinte.
Tenho dezenove - quase vinte anos e continuo correndo contra o tempo, mas dessa vez, num ritmo com menor frequência.
Não posso dizer que não gosto dessa loucura que é a vida adulta, pois mentiria. Até gosto dessa corrida maluca para cumprir horários, não perder prazos, e tentar resolver e pensar e agir com um milhão de coisas ao mesmo tempo. O que eu não gosto mesmo é de ter hora para acordar.
Me lembro de como era engraçado meus dias de Hardcore. Quanta coisa eu não vivi naqueles loucos shows de rock com os mais loucos amigos e as mais loucas situações? Sinto saudade.
Saudade porque eu podia estar na merda mas estava feliz, digo - REALMENTE feliz. Conseguia dizer para qualquer um quais eram as coisas que realmente me satisfaziam.
Viver me satisfazia. Viver intensamente.
O tempo passa tão depressa, não é? E a gente muda tanto. Algumas mudanças são permanentes e outras temporárias, surgem como moda e vão embora como nômade, mas todas as mudanças tem em si o fundamento de nos ensinar (e como ensinam!)
Só Deus sabe o quanto eu aprendi nos últimos anos.
Aprendi a aceitar, não aceitar, engolir o choro, chorar quando é preciso, aprender a correr atrás, a não desistir, compartilhar o que sinto e o principal, eu acho que finalmente eu aprendi a amar. Amar não somente a mim, como sempre de costume. Amar ao outro, a todos os outros, amar detalhes, amar sorrisos, amar a vontade de querer sempre o bem.
Ás vezes eu me questiono sobre o valor de cada coisa que eu vivi e vejo que tudo foi bom, até o que não era bom. A intensidade das coisas nos deixam mais fortes, mais preparados pra o que está por vir, mesmo que no fundo a gente nunca esteja realmente preparado para nada.
Hoje me vejo com os quase 20 que eu tanto digo, num bom trabalho, num bom curso de graduação, cheia de sonhos, com um bom namorado, bons amigos e uma boa família. É estranho demais não conseguir me sentir tão boa assim?
A cada dia me sinto mais diferente, mais desajustada, mais insconstante, sem frequência e cheia de idéias sobre presente, passado e futuro para expor.
Sinto que a cada segundo fazendo qualquer coisa eu estou perdendo o tempo em que gostaria de estar escutando um bom rock e lendo bons livros de romance de guerra.
Onde está o erro? Tudo está confuso. E eu também.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário