“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz."

terça-feira, 5 de março de 2013

O Poço

De repente me deparei com um poço no caminho. Tentei analisar de todas as formas o que existia ao seu redor e dentro de si. Não encontrei nada. Busquei então motivos que me fizessem continuar a jornada ou abandoná-la naquele momento – também não encontrei. Neste momento senti-me confusa. Percebi que não saber o que fazer naquele instante era a minha maior preocupação. Não conseguia enxergar razões pela qual eu deveria insistir no percurso e sofrer os riscos desconhecidos, mas ao mesmo tempo sentia medo de permanecer estagnada vendo o tempo passar e nada acontecer. Resolvi correr o risco, percorri alguns metros. Cai. Posso dizer que durante meses sofri as consequências de cair ao fundo do poço. Senti a frieza do silêncio e a brutalidade da solidão. Chamava por quem não ouvia e clamava sem resposta. Eu só queria não sentir a nada. Com o passar do tempo, tudo passou. Restaurei-me de todos os ferimentos da queda e prometi para mim mesma nunca mais avançar além do que meus olhos podiam prever. Enganei-me. Anos depois me vi novamente em frente a um poço. Este, desta vez, mais intimidador. Ousei e por necessidade de instinto, decidi avançar. Porém, desta vez, em paços curtos. Novamente estive ao fundo do poço. Como poderia prever tamanha emboscada? Novamente enfrentei meses de recuperação. Dias de angústia e eterno silêncio. Dessa queda, eu nunca me recuperei. Não conseguia acreditar que minha intuição novamente havia pregado peças em mim. Segui em frente, acreditando que um raio nunca cai três vezes no mesmo lugar. Até que hoje novamente me deparei com um poço em minha frente. Continuar ou fugir? Não sei.

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